Projeto em tramitação no Senado visa regulamentar estes sistemas tecnológicos no país
É impossível fugir dos avanços da inteligência artificial. Não à toa, no entanto, diversos executivos, pesquisadores e especialistas neste fenômeno alertaram, no primeiro semestre deste ano, dos perigos que este recurso tecnológico oferece, inclusive para as empresas. Um dos principais ‘vilões’ desse enredo são os hackers, que usam dela para fazer ameaças cibernéticas sofisticadas, como mandar e-mails de phishing realistas, implantar malwares ou criar vídeos deepfakes.
Por aqui, o Senado analisa projeto de lei para regulamentar os sistemas de inteligência artificial. O texto cria regras para que os sistemas de inteligência sejam disponibilizados no Brasil, estabelecendo os direitos das pessoas afetadas por seu funcionamento e define critérios para o uso pelo poder público. Violações das regras previstas poderão acarretar multas de até R$ 50 milhões por infração ou até 2% do faturamento, no caso de empresas. Outras punições possíveis são a proibição de participar dos ambientes regulatórios experimentais e a suspensão temporária ou definitiva do sistema.
Em declaração recente, um dos maiores golpistas da história dos Estados Unidos, Frank Abagnale Jr, que teve a sua vida retratada no filme ‘Prenda-me se for capaz’, falou justamente sobre estes perigos. “O que eu fiz há 40 anos, hoje está muito mais fácil de fazer por conta das tecnologias existentes. Não apenas do ponto de vista de tecnologia, mas especialmente, das pessoas. A engenharia social é uma realidade e não vai mudar. Os cibercriminosos vão usar a Inteligência Artificial. Ela será do mal”, alertou o especialista, que hoje é consultor do FBI e palestrante sobre segurança da informação.
“O ChatGPT, por exemplo, poderia ser usado, facilmente, por um hacker para gerar uma mensagem de spear phishing personalizada com base nos materiais de marketing de uma empresa e em e-mails comuns do dia a dia. Ele consegue enganar as pessoas que foram bem treinadas em reconhecimento de mensagens fraudulentas, porque não se parecerá com as mensagens que foram treinadas para detectar”, completa o diretor para a América Latina do Security Design Lab, Alexandre Vasconcelos.
Se a capacidade de identificar ameaças cibernéticas tornou-se e será cada vez mais difícil, quando integrados a algoritmos de aprendizado que utilizam Inteligência Artificial, os sistemas de segurança poderão trazer vantagens significativas para a segurança cibernética. “Por exemplo, identificar as variantes de um malware pode ser um desafio, especialmente quando enormes volumes de código o mascaram. No entanto, lidar com essa ameaça cibernética será mais fácil, quando as soluções de segurança utilizarem mecanismos de Inteligência Artificial, que incluem bancos de dados de malwares existentes e a capacidade de detectar padrões para descobrir novos códigos maliciosos”, aponta o fundador da Sikur, empresa fabricante de soluções de cibersegurança, Cristiano Iop.
Com a utilização da inteligência artificial, o executivo defende que os sistemas de segurança cibernética terão capacidade de reconhecer padrões, o que significa que esses sistemas podem detectar desvios de normas, respondendo adequadamente às ameaças nos ecossistemas de TI (Tecnologia da Informação), TO (Tecnologia Operacional) e SCI (Sistema de Controle Industrial).




